A moradora de Balneário Camboriú Cláusia Weirich Paneagua, 69 anos, faz um presépio no quintal de sua casa, na Rua 1.546, perto do colégio Anglo, há 13 anos.

A tradição vem de família: ela nasceu e foi criada em Marechal Cândido Rondon, no Paraná, onde ia no mato pegar musgo para o presépio e ajudava os pais a decorarem o pinheiro natural – que era feito somente no dia 23 de dezembro.

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Cláusia conversou com o Página 3 e relembra que quando era pequena, a tradição natalina era muito forte: sua mãe fazia o presépio com musgo, o pinheiro era natural e decorado somente um dia antes da Véspera de Natal. Os pais também faziam bolachinhas natalinas, que eram pintadas à noite, escondido das crianças, para que elas pensassem que era presente do Noel.

“Também tínhamos a tradição do São Nicolau, que deixava chocolate em nossos sapatos. Eu acreditei em Papai Noel por muitos anos, é uma pena que as crianças de hoje perderam um pouco disso”, diz.

A aposentada foi a primeira criança a nascer em Marechal Cândido Rondon, e por isso ela foi homenageada pela cidade neste ano, sendo capa de uma revista que circulou no município.

Ela mora em Balneário Camboriú há 20 anos, mas quando se mudou para a cidade não tinha espaço suficiente em casa para fazer o presépio de Natal.

“Porém, há 13 anos me mudei para a casa onde moro até hoje e voltei a fazer. Desde então faço todos os anos, sempre 14 dias antes do Natal. Ano passado comprei um presépio novo, mas sempre tento mudar elementos, como os Papais Noeis que coloco junto. Eu havia pensado em parar, mas minha filha me disse que agora que tenho minha netinha, que tem cinco anos, preciso continuar a fazer e isso realmente me motivou”, explica.

O presépio é montado nos fundos da casa e ela diz que não há em Balneário Camboriú uma casa tão decorada como a dela, contando que há luzes ‘até na rua’. Segundo ela, muitas pessoas param e olham, fotografam.

“Fiz uma ponte de carrinhos no presépio, que chama muito a atenção das crianças. Tem vários Papais Noeis em situações diferentes: na banheira, no carrinho de mão. Além do principal, o nascimento de Jesus. Teve uma senhora de Itajaí que me viu montando o presépio e à noite voltou para fazer foto. É muito bacana, as pessoas interagem e gostam muito”, acrescenta.

Cláusia lamenta que o Natal mudou, e que hoje é mais focado ‘em dinheiro e presentes’, e que o espírito natalino deveria ser repensado.

“As pessoas precisam saber o que significa o Natal. É por isso que faço o presépio, para as crianças identificarem o quanto é importante essa época do ano, para conhecerem e continuarem a espalhar o espírito de Natal, porque não é só comércio e presentes”, completa.